Me diz se já aconteceu contigo algo parecido com isso.

Eu estava saindo do mercado e falei com o feirante “obrigada!”, então ele me respondeu “pra você também.” e no mesmo dia eu passei na portaria do meu prédio e disse “boa tarde”, então o porteiro respondeu “de nada!”.

Isso já me aconteceu várias vezes, e imagino que com você também. Inclusive, eu estando na posição de quem responde algo que não condiz com o que foi dito por outra pessoa, como foi o caso do feirante e do porteiro do meu prédio. Mas essas duas coisas terem acontecido num espaço de tempo pequeno, me fez pensar sobre como estamos desconectados dos diálogos ao nosso redor.

Estamos em modo automático.

Tem muita coisa que fazemos sozinhos e já não pensamos muito sobre, né? Tipo quando estamos tomando banho e, ao terminar, nos perguntamos se esfregamos mesmo o pé ou não, porque não lembramos, foi automático. Não pensamos que estamos respirando para nutrir nossas células e muitas vezes não pensamos que estamos comendo ou lavando a louça.

Isso também é grave e nos mostra o quanto estamos desconectados de nós e do ambiente. Dalai Lama já dizia que se você vivenciar o momento presente, focado na sua ação, você estará em estado meditativo. Isso, você pode estar meditando ao escovar os dentes se você estiver presente consigo naquele momento. Isso te conecta ao presente.

E quando estamos conversando com outra pessoa e entramos no automático, terminamos vítimas desse tipo de diálogo desconexo. E tem coisa mais incômoda num papo do que você sentir que o que você disse não foi ouvido? Que você foi ignorado?

Então, a minha sugestão aqui é você tentar sair do automático no seu dia a dia e nas conexões que você faz, seja pessoalmente ou pelas redes sociais. Esse estado de presença é um treino constante e vai te exigir atenção, cuidado e perseverança. Mas posso te garantir que ele é a chave para que você consiga se aprofundar nas suas relações e fazer conexões mais produtivas.

Comece praticando com você. Enquanto estiver comendo, pense na comida que está te alimentando. Enquanto estiver tomando banho, pense na água que está te limpando. Então, comece a expandir isso para as suas relações mais próximas. Quando estiver com alguém, esteja presente e faça uma escuta ativa ao que estão te dizendo.

Uma boa dica pra isso é, de tempos em tempos, repetir um pouco do que foi dito pela outra pessoa. Isso faz com que você refaça a conexão do diálogo e também que você garanta que está entendendo exatamente aquilo que a outra parte está querendo dizer.

Por fim, mantenha esta conexão de modo que, ao perceber que a outra pessoa com quem você conversa ficou ausente por um momento, que a mente vagou para um outro espaço, tente retomar a atenção com gentileza, traga a pessoa de volta para o assunto de forma sutil, através de alguma pergunta ou de algum estímulo de feedback no assunto.

Assim, você estará praticando um estado de presença (meditando sim) enquanto faz coisas simples no dia a dia, conversa com as pessoas, responde nas redes sociais ou enquanto escreve um e-mail como este. Sim, aqui estou completamente presente e dedicada ao conteúdo que estou gerando pra você. Porque essa conexão é importante pra mim.

Ah, e um ponto fundamental nisso. Não julgue os outros e nem a si mesmo quando a mente insistir em vagar e você se distrair do que estiver fazendo. Isso é mais do que natural, especialmente neste mundo cheio de informação que vivemos. E esse estado de presença é prática e treino, então, é natural que você sempre tenha pra onde melhorar.

Se você gostou desta reflexão, desejo boa sorte nas tentativas de botar em prática. E vou ficar muito feliz se você vier me dizer o que mudou nas suas relações, seja com você ou com as outras pessoas, a partir do momento que você experimentou sair do automático. Aguardo tua resposta.

Obrigada por ler e se dispor a entender. 🙂

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