Comunicação não violenta se faz na prática

Foto de Anna Terra no seu escritório. No computador, a marca Anna Terra. Ela está sentada na cadeira e lendo o livro Comunicação Não Violenta. Na mesa outros livros empilhados e na parede artigos de decoração.

Eu comecei a estudar comunicação não violenta no comecinho de 2017. Conheci quando fazia terapia com Lula de Oliveira, do Caminho Simples. Ele me apresentou o conceito e disse “tem um livro sobre isso”. De lá pra cá, estudei bastante, fui pra palestra de Dominic Barter, que iniciou os primeiros projetos de CNV no Brasil, fiz o Compassion Course com Thom Bond, fundador do Centro de CNV de Nova Iorque (NYCNVC), participei de muitos encontros de CNV pela Comunidade de Comunicação Compassiva em East Vancouver (EVCCC), enfim, teoria eu tive bastante e de alta qualidade.

Mas uma das coisas que me levou de volta para a terapia em 2019 foi justamente esse assunto. Eu estava em conflito por não conseguir praticar a comunicação da forma como eu achava que deveria. O tal sentimento de fraude foi tão forte que passei a negar participação em eventos sobre o tema. “Como eu posso falar de algo que eu mesma não me sinto capaz de praticar?”

Não é um caminho fácil e nem linear esse de se comunicar de forma não violenta. A escuta empática e a fala autêntica são desafiadoras justamente por não serem o caminho mais fácil. Precisamos de tempo, de prática, de paciência, de lidar com nossas próprias frustrações. Falar de CNV passa por inteligência emocional, por autoconhecimento, por respeito a si e às outras pessoas. É muito mais do que uma escolha “certa” de palavras.

Aos poucos fui fazendo as pazes com a ideia de voltar a falar sobre isso, e recentemente fui convidada pelo Encontro Bloom 2021 para facilitar uma oficina de Comunicação Não Violenta. Na construção dessa ideia, eu falei da importância da gente contemplar encontros práticos, para além da teoria. Conhecer os conceitos é importante, afinal, essa é uma ferramenta de comunicação para diminuir e evitar conflitos. Mas a comunicação de verdade só se faz na prática. Por isso, a Oficina de Introdução à Comunicação Não Violenta foi feita em 3 encontros: 1 teórico e 2 práticos.

No encontro teórico eu partilhei os princípios da comunicação não violenta: observação sem julgamento, compreensão dos sentimentos, entendimento das necessidades e formulação do pedido. Apresentei formas da gente escutar de forma empática e o que pode atrapalhar este processo, e também ferramentas para se expressar de forma autêntica sem cometer sincericídio. Nos outros dois encontros foi onde a mágica aconteceu.

Mesmo sendo um encontro virtual, depois de um ano e meio de pandemia que nos força ao excesso de telas, a conexão entre as pessoas surgiu de forma verdadeira e emocionante. Fizemos uma rodada de empatia, onde as pessoas foram convidadas a expressar algo que gostariam de receber empatia, e a outra pessoa se comprometeu a escutar de forma ativa e a refletir o que entendeu. Um gesto simples que fez com que nós nos sentíssemos acolhidas em nossas próprias questões. Sem julgamentos.

Também nos utilizamos da ferramenta do Grok, um jogo de cartas que adaptei para a realidade virtual, e que nos ajuda a aumentar o nosso vocabulário de sentimentos e necessidades. Com ele, fizemos brincadeiras lúdicas e divertidas, celebramos necessidades atendidas e conhecemos novos nomes de sentimentos que vão ajudar a gente a se expressar. Foram momentos de intimidade, teve riso, teve choro e teve uma conexão verdadeira entre quem participa. E se tem uma boa conexão, a comunicação foi bem sucedida.

Inspirada pelos momentos desta oficina, estou construindo os Encontros Compassivos – Comunicação Não Violenta na prática. Serão encontros presenciais em Recife, exclusivamente para pessoas vacinadas, e também virtuais para quem preferir ou estiver em outras cidades. Para estruturar estes encontros, lancei este formulário para entender melhor quem tem interesse e quais as preferências para realização destes momentos de conexão. Colaborando com suas respostas, você estará entre as primeiras pessoas a saber sobre os encontros. Topa colaborar? Você pode clicar aqui neste link e responder ao formulário, é curto e rápido. Agradeço desde já a confiança e o interesse na construção dos Encontros Compassivos.

Anna Terra

Anna Terra

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