Conversar também é meu alimento.

Foto de uma manga cortada em cubos na própria casca, pronta para ser comida. Ao fundo, coqueiros e grama verde sob um sol de céu azul.

Há um tempo entendi que estou num movimento de ouvir mais e falar menos. Tenho me colocado em um lugar de aprendizado mais intenso. Lido mais, estudado mais, aprendido mais, e isso tem me feito escrever menos, falar menos. Por mais que eu queira aprender para compartilhar, também me vi travada diante de um “e se eu passar uma mensagem errada?”. Logo eu que sempre fui de verbalizar o que sinto e o que vivo como forma de criar uma narrativa e dar materialidade aos meus sentimentos, me vi totalmente paralisada. E já faz tempo.

E nem só de textos publicáveis eu estou falando, mas também de diálogos interpessoais. E com a pandemia e todo distanciamento, isso foi ficando cada vez mais evidente. Me vi dias e mais dias sozinha na minha cabeça, sem conversar com ninguém. Não posso colocar na conta da minha terapeuta e do meu companheiro toda minha necessidade de comunicação, é injusto e também não é saudável.

Um dia, num grupo de Whatsapp, falei algo que não foi da melhor forma e minha fala foi apontada como racista, e isso me entristeceu profundamente. Como assim eu estava reproduzindo algo que eu tenho cada vez mais trabalhado para combater? Outro dia, numa discussão, fiz o oposto do que estudo e ensino sobre comunicação não violenta. Será que eu desaprendi a conversar? Como assim quanto mais eu escuto menos eu sei falar? E assim fui me silenciando, e de certa forma me envenenando.

Foi quando eu entendi que meu movimento de aprender não pode ser só passivo. Não posso apenas ficar de espectadora e achar que vou me melhorar assim. Meu aprendizado é constante e é ativo. Preciso do diálogo para me alimentar, para me enriquecer, para viver. Entendi que preciso voltar a falar, a conversar, a errar para então analisar e seguir aprendendo. Me paralisei por medo. Medo de ferir alguém. Medo de ser julgada. Medo de ser vetor de um discurso errado. Medo de falar. É preciso ter coragem para dialogar, para se expor, para se posicionar.

As palavras são meu instrumento de transformação, são tudo que eu tenho, e pra mim elas sempre serão uma via de mão dupla.

Anna Terra

Anna Terra

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